Nova Estrada do Tingui tem a marca da economia

A Prefeitura do Rio entregou, no domingo (11/1), a pavimentação do trecho da Estrada do Tingui que faltava para fazer sua ligação à Avenida Brasil, criando ligação direta entre o sub-bairro Salim, em Campo Grande, e um dos principais corredores viários da cidade. Entretanto, quem se destina à Santa Cruz, não tem acesso, tem que acessar a pista no sentido centro do Rio e usar o próximo retorno, no Viaduto dos Cabritos, na intercessão com a congestionada Estrada Rio São Paulo. Os motoristas que vem do centro do Rio, sentido Santa Cruz, também não tem acesso a esse novo trecho da Estrada do Tingui, tem que retornar em Manguariba, próximo ao Conjunto Campinho. Desta forma, a intervenção perde a oportunidade de atender as alternativas de acesso e de saída do bairro, dos moradores, trabalhadores e de quem cruza diretamente a Zona Oeste.
A obra contempla a implantação de 779 metros de nova rede de drenagem, 6,9 mil metros quadrados de calçadas acessíveis, 20,9 mil metros quadrados de pavimentação e 2,7 quilômetros de estrutura cicloviária. Desse total, 1,5 quilômetro foi implantado como ciclofaixa no novo trecho, organizando a circulação e ampliando as condições de mobilidade para pedestres, ciclistas e motoristas em uma área de intenso crescimento urbano.
Ao todo, a intervenção soma 2,7 quilômetros de extensão e cerca de 33,7 mil metros quadrados de área, reforçando a rede viária local e contribuindo para uma distribuição mais equilibrada da circulação em eixos de grande demanda da região, como as estradas do Mendanha e do Pedregoso.
Economia que custará caro
Outra visão mostra que as pistas simples, uma indo e outra vindo, vão exigir sua duplicação a médio prazo. Desde o anúncio da obra, há dois anos atrás, esse trecho da Estrada do Tingui passou a ser o mais novo alvo do mercado imobiliário, indústria e comércio.
Essa sinalização não disse nada ao prefeito Eduardo Paes, que já declarou que não duplicará as estradas que compõem o Anel Viário de Campo Grande – Cachamorra, Posse, Monteiro, Capoeiras, Rio do A, entre outras – por conta do alto custo das desapropriações, desqualificando o plano de mobilidade de Campo Grande. Para os projetos anunciados para a Barra da Tijuca não falta recursos, e se faltar, ele chama a iniciativa privada e faz parcerias.
É bem provável, que já na próxima década, a Estrada do Tingui precise ser duplicada e também esbarre no alto custo das desapropriações, e a resposta, já foi dada pelo prefeito.
Eduardo Paes repete o erro do ex-prefeito Marcelo Alencar que nos anos 90 revitalizou as estradas que compõem o complexo viário de Campo Grande sem prever o futuro, com pistas simples e únicas, e hoje, quem quiser desatar os “nós” do trânsito de Campo Grande vai ter que pagar caro pelas desapropriações.
Lá na frente alguém vai dizer que ele – Eduardo Paes – errou ao expandir a Estrada do Tingui só com duas pistas simples.
Hoje, já podemos garantir que ele errou, pois a nova Estrada do Tingui não dá acesso a Avenida Brasil no sentido Santa Cruz.
Por Jessé Cardoso

